• Paula Mai

Há exatamente um ano, Cascavel confirmava o primeiro caso de coronavírus

Primeiro paciente tinha histórico de viagem internacional. Um ano depois, são mais de 28 mil casos registrados e 508 óbitos

Há exatamente um ano Cascavel confirmava o primeiro caso do novo coronavírus. Muitos não acreditavam que o vírus chegaria até Cascavel, mas um mês antes a cidade já tomava as medidas necessárias para minimizar os impactos do vírus, ainda pouco conhecido e que assustava o mundo. Um ano depois, Cascavel registra 28.065 casos e 508 óbitos.

No início da noite do dia 22 de março de 2020 a confirmação do primeiro caso era tornada pública por meio de uma nota oficial emitida pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau). “Paciente do sexo feminino, 42 anos, com histórico de viagem aos Emirados Árabes Unidos. Sintomas iniciaram ainda em solo internacional. Realizou consulta pelo SUS na atenção primária no dia 16/03/2020 e recebeu visita domiciliar da equipe da SESAU no dia 20/03/2020. No dia 18/03/2020 procurou laboratório privado para realização de exame que testou POSITIVO para SARS-Cov-2 (Novo Coronavírus) com emissão de laudo neste dia 22/03/2020”, dizia o comunicado de Secretaria Municipal de Saúde.

Mesmo antes de o primeiro caso ser registrado no Brasil, Cascavel começou a adotar medidas para minimizar os impactos da pandemia que fatalmente chegaria até a cidade. No dia 30 de janeiro, a Sesau realizou uma reunião com organizadores do Show Rural Coopavel. A preocupação era com possível chegada de comitivas de países asiáticos e europeus, onde o vírus já estava presente. Também foram repassadas orientações para adoção de medidas sanitárias no aeroporto.

No dia 7 de fevereiro do ano passado, a Vigilância Epidemiológica realizou reunião com coordenadores de Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF) sobre o novo coronavírus e no dia 20 do mesmo mês era implantado o Centro de Operações de Emergência (COE), para discutir e aprovar medidas de enfrentamento ao vírus.

A partir de então, uma série de normas operacionais foram adotadas para regular o fluxo de atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e na atenção primária.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) só declarou pandemia no dia 11 de março e a prefeitura anunciava, nessa mesma data, que cinco unidades de saúde passariam a atender em horário ampliado e exclusivamente sintomas de Covid-19 ou dengue.

Pilares

Ainda em março, a Prefeitura de Cascavel adotou três pilares de enfrentamento à Covid-19, com base no equilíbrio e responsabilidade. O primeiro pilar considera o salvamento do maior número de vidas possível; o segundo, foca em evitar o colapso do Sistema Único de Saúde e o terceiro não deixar que os pilares anteriores destruam a economia, e por consequência, mais vidas sejam perdidas. O Município sempre trabalhou com a proposta de promover o equilíbrio entre saúde e economia, com a retomada programada do setor econômico.

Na manhã desta segunda-feira (22), o prefeito Leonaldo Paranhos fez um balanço das ações desenvolvidas e disse que o momento é de responsabilidade de todos, de esperança e fé. Ele lembrou que Cascavel sempre trabalho com planejamento, primando pelo equilíbrio e sem nada de exageros.

“O Balanço é de muita tristeza, evidentemente, nós tivemos muitas perdas. Perdemos eventos, casamentos que poderíamos ter realizado,perdemos viagens que poderíamos ter feito, perdemos empresas que fecharam e perdemos vida. Isso é o mais triste. Se o balanço é negativo nós temos que tirar desse ponto a nossa expectativa, a nossa esperança, a nossa fé e em nome de todos daqueles que tombaram nós temos que ficar em pé para defender a nossa cidade e a nossa população”, afirmou.

Thiago Stefanello, coordenador do Comitê de Crise e ex-secretário de Saúde destaca que são meses de desafios. “Foram meses de muita intensidade, de comprometimento, de reuniões e ações constantes. Lutar com algo desconhecido, sem uma regra ou uma fórmula para o enfrentamento tornou tudo ainda mais difícil. Mudanças de fluxos e atendimentos, ampliação de leitos, compra de insumos, decretos, orientações, um universo imenso de decisões a serem analisadas e implantadas, sempre com as opiniões divididas, com a pressão da sociedade, do comércio, do órgãos de controle, das vidas a serem salvas. Cada um analisava a sua ótica, mas nós precisávamos olhar o contexto todo, além da ideologia ou da política, dar o norte para que o menor número de vidas fossem perdidas”, destaca o coordenador do Comitê de Emergência e ex-secretário de Saúde, Thiago Stefanello.

Decretos

No dia 13 de março de 2020, Cascavel editava o primeiro decreto de restrição. O Decreto 15.302, que suspendeu eventos públicos, como a inauguração do Ecopark Oeste, que aconteceria dois dias depois. Cascavel se estruturou com novos leitos exclusivos para tratamento de pacientes Covid-19.

No dia 22 de março era publicado o Decreto 15.336, que ampliou as medidas restritivas e instituiu o toque de recolher. No dia 14 de junho foi publicado o Decreto nº 15.499, que também trazia novas recomendações e restrições.

Outras ações

Em 26 de março, quatro dias após o registro do primeiro caso, Cascavel iniciou a montagem do Hospital de Campanha, no Centro de Convenções e Eventos, que dois meses mais tarde era aberto com e levou o nome do empresário Nei Senter Martins, a primeira pessoa a morrer por Covid-19, no dia 30 de março. A estrutura continua no local e hoje abriga a Central de Vacinação contra a Covid-19. Também foi efetivado o início de atendimento das no Hospital de Retaguarda Allan Brame Pinho, que se tornou referência no atendimento à Covid-19.



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