• Paula Mai

A parceria tecnológica que fez da CoronaVac a vacina do Brasil



Em ciência, quanto mais colaboração, melhor. É por meio do debate e do questionamento de hipóteses e ideias que os pesquisadores produzem ciência. Todo o conhecimento do mundo é fruto da colaboração de diferentes pessoas que, em diferentes tempos, partiram das certezas ou dúvidas de seus colegas para ampliar e aprofundar seus estudos. Por isso, na comunidade científica, a colaboração entre diferentes atores com um mesmo objetivo é sempre uma virtude.

Foi pensando nisso que o Instituto Butantan, lá no início da pandemia de Covid-19, se associou à fabricante chinesa de medicamentos Sinovac Biotech para conceber, desenvolver e testar em parceria uma vacina que pudesse impedir o colapso do sistema de saúde brasileiro - a CoronaVac.

A Sinovac Biotech é uma das principais biofarmacêuticas chinesas, e foi fundada em 1993 em Pequim. Com capital aberto e listada na NASDAQ, a companhia realiza pesquisa, desenvolvimento, fabricação e comercialização de vacinas contra Hepatite A e B, influenza, H5N1, H1N1, caxumba e raiva. Suas vacinas são exportadas para países como Mongólia, Nepal, Filipinas, México e Chile.

Em seu portfólio de vacinas, a Sinovac já tinha uma contra o vírus SARS-CoV-1, agente responsável pela epidemia de SARS na China entre 2002 e 2004. “Essa experiência permitiu a adaptação para o SARS-CoV-2 muito rapidamente. Em abril, já tínhamos uma vacina sendo testada em ensaios pré-químicos”, relembrou o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em entrevista coletiva à imprensa. Os ensaios pré-clínicos em animais mostraram que a vacina tinha grande eficácia em protegê-los.

Na sequência começaram os estudos de fase 1 e fase 2, com 744 voluntários chineses, que comprovaram a segurança da vacina e sua eficiência na produção de anticorpos. Esses dados serviram de subsídio para o Butantan solicitar o início dos estudos de fase 3, aqui no Brasil. “Nos associamos com a Sinovac para desenvolver a parte mais importante da vacina, que é demonstrar a sua utilidade, a sua eficiência e a sua eficácia”, completou Dimas.

A parceria entre as duas instituições prevê troca de conhecimento e de tecnologia, mas a produção da CoronaVac é local, ou seja, feita totalmente no Brasil. Em outras palavras, o desenvolvimento da CoronaVac é do Butantan, utilizando matéria-prima chinesa. Além disso, os estudos clínicos de aplicação da CoronaVac no Brasil também são responsabilidade do Butantan.

“Isso [associação entre Butantan e Sinovac] é uma virtude. Porque se isso não tivesse acontecido, nós não estaríamos com milhões de doses prontas na prateleira, aguardando o momento do uso”, garantiu o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em entrevista coletiva à imprensa. Atualmente, há 6 milhões de doses da CoronaVac prontas, e outras 4,8 milhões em processamento para o início da vacinação no país.

Certificação da ANVISA

Em dezembro, equipes técnicas da ANVISA e do Butantan visitaram o complexo fabril da Sinovac. O objetivo era mostrar ao órgão regulador brasileiro como estava sendo a produção dos insumos da CoronaVac. Após a visita, a ANVISA concedeu à Sinovac a Certificação de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos, o que permitiu o início da produção das vacinas no Butantan.



Fonte: Instituto Butantan